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"Crimes de guerra devem ser interrompidos". Vaga de ataques russos na Ucrânia faz vários mortos

"Crimes de guerra devem ser interrompidos". Vaga de ataques russos na Ucrânia faz vários mortos

Várias cidades ucranianas voltaram a ser palco de ataques russos na última noite. Kiev condenou estes "crimes de guerra" e adiantou que pelo menos 16 pessoas morreram, incluindo crianças, e que há quase uma centena de feridos.

Inês Moreira Santos - RTP /
Valentyn Ogirenko - Reuters

Kiev, Odessa e Dnipro foram as principais regiões atingidas pelos 659 drones e 44 mísseis russos, nas últimas horas. Informações avançadas pelas autoridades ucranianas, que confirmaram pelo menos 16 vítimas mortais. 

Um rapaz de 12 anos está entre as cinco vítimas na capital da Ucrânia. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, indicou ainda que as equipas de resgate retiraram uma mãe e uma criança dos escombros de um prédio residencial de 16 andares que desabou no distrito central de Podilsky. 

O chefe da Administração Militar de Kiev, Tymur Tkachenko, alertou os civis para que se mantivessem abrigados até que seja suspenso o alerta de ataque. 

Esta nova onda de ataques acontece após um breve cessar-fogo durante as celebrações da Páscoa Ortodoxa, apesar de ambos os lados se acusarem mutuamente de centenas de violações.

"Tais ataques não podem ser normalizados. São crimes de guerra que devem ser interrompidos e os perpetradores responsabilizados”, afirmou o ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros.

Andrii Sybiha apelou que os países aliados tomassem “medidas imediatas”, acrescentando que "é imoral, contraproducente e perigoso" adiar as sanções contra a Rússia ou os pacotes de ajuda para a Ucrânia".

“Todas as decisões necessárias para aumentar a pressão sobre o agressor devem ser desbloqueadas agora”,
escreveu o chefe da diplomacia ucraniana na rede social X.

O ministro ucraniano pediu também para que mais países se juntem ao Tribunal Especial constituído pela Ucrânia — com o apoio da União Europeia — para julgar o presidente russo, Vladimir Putin, e outros líderes russos "não por abusos cometidos durante a guerra", mas pela própria decisão de iniciar e manter o conflito.
Zelensky contra levantamento de sanções
Após estes novos ataques russos, o presidente ucraniano afirmou estar contra o levantamento de sanções internacionais à Federação Russa.

“Outra noite provou que a Rússia não merece qualquer alienação da política global ou levantamento das sanções. A Rússia está a apostar na guerra, e a resposta tem de ser exatamente essa: temos de defender vidas com todos os meios disponíveis, e temos também de exercer pressão em prol da paz com a mesma força total”
, escreveu Volodymyr Zelensky nas redes sociais.

O líder ucraniano lamentou os “ataques e danos em edifícios residenciais” e as vítimas mortais.

“Não pode haver normalização da Rússia”, acrescentou. “A pressão sobre a Rússia tem de funcionar. E é importante cumprir todas as promessas de assistência à Ucrânia a tempo”.


Nas últimas 24 horas, a Rússia lançou quase 700 drones de longo alcance e mais de 44 mísseis de longo alcance contra a Ucrânia, segundo as autoridades de Kiev.

Estes ataques russos contra a Ucrânia ocorreram por rondas, num horário menos habitual, durante a manhã e a tarde, e tendo continuado ao longo da madrugada de quinta-feira, com o lançamento de drones e mísseis dirigidos contra alguns dos principais centros urbanos. Vários drones russos continuavam a dirigir-se para diferentes territórios da Ucrânia nas primeiras horas da manhã, segundo informou a Força Aérea ucraniana na plataforma de mensagens Telegram.

A guerra na Ucrânia começou com a invasão russa em fevereiro de 2022. Tem havido várias tentativas de negociações de paz, com os Estados Unidos a assumir o papel de mediação. Mas o processo está parado desde que o presidente norte-americano se concentrou mais no conflito no Médio Oriente.

A Ucrânia tem proposto um cessar-fogo completo e duradouro, para começar a negociar, mas a Rússia insiste em a cedências territoriais ucranianas e na necessidade de chegar primeiro a um acordo de paz. 
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